O jovem encontrou nos serviços de delivery dos aplicativos uma possibilidade de não ficar parado e ganhar um dinheiro.

Figueira viaja durante quase duas horas de trem todos os dias da sua casa, na baixada fluminense, até o centro do Rio de Janeiro para fazer entregas pela Uber Eats.

Eu trabalho no horário do almoço até às nove da noite, porque é a hora que está perto do último trem sair da Central do Brasil.

Têm muitos [entregadores] que ficam até meia noite, três da manhã. Tem dias em que eu trabalho mais de 12 horas”, relata.

Figueira é maqueiro de profissão e tem um filho de dois anos. Desde o ano passado tem sobrevivido a base de “bicos”.

A média de rendimento semanal, com uma rotina de 8 a 12 horas de trabalho por dia, é de R$ 100 por semana.

Uber Eats, por exemplo, não fornece nenhum tipo de seguro no caso de roubo ou acidente e o entregador ainda arca com os R$ 50 da mochila necessária para realizar a atividade.

O caso de Figueira, assim como de outros entregadores das empresas de aplicativo, reflete a precarização das relações de trabalho num processo que ficou conhecido como uberização.

Além da distância que precisa percorrer e do tempo de trabalho, ele depende das bicicletas alugadas pelo sistema Bike Rio para trabalhar.

Durante a semana a gente não pode andar de bicicleta no trem e não têm como vir pedalando da baixada aqui pra baixo, a vantagem que encontramos foram as 'bikes do Itaú'.

As grandes startups se tornaram a única possibilidade de trabalho para boa parte da população brasileira.

As empresas que lideram o mercado de delivery no Brasil são a iFood, a Uber Eats e a Rappi. Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes

Faturamento acima dos R$ 10 bilhões. A área de serviços por aplicativos não para de crescer. Em levantamento divulgado no final de abril.